A Premier League e sua fórmula de sucesso - NTDR #03


Hoje, quando nos perguntamos qual a melhor liga do mundo, a maioria responde de primeira que é a Premier League. Alguns citam a La Liga pela presença das grandes estrelas, outros a Serie A, pela história belíssima ou até mesmo a Bundesliga pela presença maciça de público nas partidas. Entretanto, a liga inglesa concentra tudo isso em apenas um campeonato, que é mais que uma competição, e sim um produto de altíssimo valor. E nesse post vamos falar sobre a origem da Premier League e o porquê dela fazer tanto sucesso em todo planeta.


O final dos anos 80 foi marcado por uma decadência do futebol inglês. A Football League First Division estava bem atrás de outros campeonatos como a Serie A e a La Liga em público e audiência. A situação melhorou no início dos anos 90 com a Inglaterra fazendo boa campanha no Mundial e com os clubes ingleses voltando a figurar no cenário europeu após o término da proibição imposta pela UEFA. O dinheiro televiso era fator muito importante para a Football League, que conseguiu segurar as equipes por um período de tempo. Entretanto, com a melhora de público e dos estádios, a separação ocorreu com a formação da Football Association Premier League; rompendo assim uma relação que durava 104 anos. A Football League ficou e ainda mantém o controle da segunda a quarta divisão.

Manchester United de 1992/1993 foi o primeiro campeão da Premier League.

Apesar da mudança drástica, não houve alteração no modelo de disputa. Apenas em 1995, por insistência da FIFA, o número foi reduzido de 22 para 20 equipes. Mas o que chama atenção neste modelo é a organização administrativa. Cada um dos clubes participantes tem direito a um voto em questões como alterações de regras e contratos, além da eleição de presidente, diretor executivo dentre outros. Outro fator destacáveç é a organização da competição e a padronização nas letras e números do uniforme, por exemplo.

Essa mudança gerou uma maior renda para os clubes ingleses e consequentemente permitiu o investimento na compra de grandes jogadores. Isso levou a uma evolução técnica do futebol inglês, até então muito criticado – caracterizado como entediante e previsível (o kick and rush, em tradução livre: chutar e correr). Assim, com a adesão de jogadores de fora a competição começou a conquistar o mundo, sobretudo nos anos 2000, muito graças às constelações do Big Four: Manchester United, Chelsea, Liverpool e Arsenal. E apesar de Barcelona, Real Madrid e mais recentemente Paris Saint-Germain serem grandes concentradores de craques, os clubes ingleses ainda assim possuem grandes estrelas, com destaque também para Manchester City e Tottenham Hotspurs que agora integram uma espécie de Big Six.

Arsenal, o único campeão invicto da Premier League; 26 vitórias e 12 empates.

Outro aspecto que chama muita atenção na Premier League é o equilíbrio da competição. Apesar de ter a quantidade de campeões similar às outras ligas europeias (levando em conta as edições que ocorreram a partir de 1992), os jogos dentro da competição são bem nivelados, independente da posição e momento, tanto que não é raro acontecer zebras dentro do torneio. Apesar do domínio do Manchester United, com 13 títulos, temos também grandes surpresas como o incrível Leicester, que conquistou os apaixonados pelo futebol e levou o título de forma surpreendente em 2016, sendo que e 2015 a equipe tinha acabado de ser campeã da segunda divisão.

O principal fator que explica esse equilíbrio maior em relação as outras grandes ligas europeias tem a ver também com a distribuição monetária da competição. A divisão de verba de televisão entre os clubes é muito mais igualitária (tal divisão vem sendo questionada pelo Big Six). Vamos trazer a realidade para o Brasil: No Brasileirão de 2018, Flamengo e Corinthians, os líderes nesse quesito, ganham R$ 170 milhões de reais cada, sete vezes mais que o Paraná, Ceará e América. No total, a Globo paga 1,331 bilhões de reais para os clubes da primeira divisão. Abaixo você confere os valores recebidos pela Premier League por direitos televisivos e sua divisão.


Devemos lembrar que a Premier League desde sua criação vendia seu nome. Da estreia até 2001 era a Carling a patrocinadora, sendo sucedida pela Barclays. Tal parceria durou 15 anos, sendo encerrada em 2016. Nos últimos três anos da parceria, a Barclays investiu 380 milhões de reais pelo Naing Rights. Atualmente a Premier League adota o perfil usado pelas ligas estadunidenses (NFL, NBA, NHL…), pela Copa do Mundo e Olimpíadas, ou seja, renuncia ao patrocínio de título, valorizando ainda mais a marca.

Por falar em marca valiosa, o ponto de encerramento deste post fala sobre as marcas das equipes que disputam a elite do futebol inglês. Das 10 primeiras marcas mais valiosas do planeta, seis são inglesas, e dentro do top 50 encontramos 17 times da terra da Rainha, estabelecendo um domínio em relação às outras competições – não há nenhum brasileiro neste ranking. Manchester United, apesar de não estar em grande fase como estivera na década passada ainda assim lidera. Na questão de poder, apesar da perca de algumas posições, os clubes britânicos ainda são a maioria.


Vemos assim como uma administração competente e cuidado com detalhes geram um produto de primeira mão. Das ligas esportivas, a Premier League fica atrás somente da NFL. No Brasil tentaram implementar um projeto similar, mas que já está falhando. Já Na Terra da Rainha, a melhor Liga do planeta vem mostrando ao mundo como sua fórmula, implementada em épocas difíceis, vem dando absolutamente certo.

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Texto postado no Blog 4-3-3 dia 20 de abril de 2018.

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Ceyron Louis

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1 comentários:

  1. A Premier League é um exemplo de como se organizar um campeonato nacional de clubes, coisa que falta pro Brasileirão que tem potencial pra melhorar se for bem administrado.

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