Do banco para o lado oposto da história


Ontem foi um dia para entrar na história de Portugal. Mesmo chegando de maneira surpreendente à final, enfrentando a favorita França na casa do adversário, não foram somente onze jogadores, e sim onze milhões de portugueses que impulsionaram a equipe lusa. Nem tampouco a lesão de Cristiano Ronaldo aos oito minutos da primeira etapa foi capaz de atrapalhar a equipe ibérica, que conquistou seu primeiro título oficial vencendo apenas uma das sete partidas no tempo normal.

O clima era todo favorável aos franceses. A seleção da gália vinha de uma triunfo contra a Alemanha por 2x0 e foi a vencedora da chave mais difícil da competição. Já os portugueses obtiveram no último duelo contra País de Gales a sua primeira vitória no tempo regular na competição. A principal esperança dos lusos era CR7, porém dessa vez a esperança “morreu” cedo, antes dos dez minutos de bola rolando. Cristiano ainda tentou jogar, enfaixou o joelho, porém a dor era enorme, menor apenas do que a decepção do craque que deixou o gramado aos prantos.


A partir daí os lusos se viram de certo modo órfãos. A França atacava mais, com destaque para Griezmann, que sumiu ao longo do jogo, e Sissoko, que mandava torpedos perigosíssimos para o gol. Na segunda parte, os portugueses equilibraram a partida, contudo o desgaste obrigou ao treinador fazer as três substituições. Rui Patrício apareceu e salvou Portugal por três vezes. Os Bleus mantiveram a pressão e conseguiram mandar uma bola na qual Rui Patrício não chegou, todavia foi a vez da trave defender para ao arqueiro português no último lance do tempo regulamentar.

Novamente o time Íbero não venceu nos 90 minutos. O jogo ficou equilibrado na prorrogação. Raphael Guerreiro devolveu a bola francesa, que fora na trave, no travessão numa falta perigosíssima. Éder, ainda aos 33 do segundo tempo, substituiu Renato Sanches, entrando não só na partida, mas como também na história do futebol português. O atacante nascido na Guiné-Bissau recebeu a bola na entrada da área e marcou o único gol do duelo. Os francos não tiveram força para reagir e assim terminou o jogo: 1x0. Após 41 anos, a Seleção das Quinas voltam a vencer os Bleus.


A saída de Ronaldo ajudou de certo modo Portugal, pois a partir daquele momento o time luso passou a jogar um pelo outro, e não em função de um homem. Éder entrou para ser o “Angelos Charisteas francês”. Griezmann jogou bem no início caindo de produção ao logo jogo. O ataque francês até criou belas chances, mas a defesa portuguesa foi superior e jogando por uma bola, conseguiu chegar até essa “bola” balançando as redes. Agora, decepção dos franceses que perderam em casa a oportunidade do tricampeonato, e alegria portuguesa, uma felicidade, que podemos dizer, antagônica ao sentimento da final de 2004, sentimento este que pertence agora aos francos.

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