Futebol Clássico vs Futebol Moderno: As mudanças até os dias atuais

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Depois de um tempinho voltamos com nossa trilogia comparando ponto a ponto o futebol antigo com aquele que assistimos atualmente. No post inicial, mostramos as características do primeiro em diversos âmbitos, e agora neste artigo iremos colocar as diferenças apresentadas pelo futebol moderno em contraponto ao que foi mostrada no texto anterior.

Rendimento dentro do campo


No primeiro artigo trouxemos alguns números que retratam como era o desempenho dos futebolistas no passado, e estes dados serão comparados aqui. Atualmente, um jogador percorre cerca de 13 quilômetros por partida, com velocidade média de 15 km/h. A média VO2 (unidade de medida que avalia o volume máximo que uma pessoa consegue absorver dos pulmões em uma unidade de tempo) também aumentou, chegando a 65 mililitros por quilo a cada minuto. Os goleiros também evoluíram, e hoje eles possuem uma impulsão 15 cm maior quando comparada à dos anos 70.


Estas estatística mostram uma mudança de um jogo mais técnico e estático para um mais intenso, rápido e com desgaste físico bem maior. Parte dessa mudança está relacionada ao modo de se defender. Agora, não apenas a zaga e os volantes possuem essa função, mas também os meias e em alguns casos até mesmo os ataques (como o Atlético de Madrid de Simeoni). Esta reposição tem o custo da movimentação constante dos jogadores de frente, indo ao ataque e voltando para recompor a marcação.


A parte ofensiva também foi alterada significativamente. Hoje, além dos dribles inovadores e jogadas ensaiadas, há um número muito maior de esquemas que podem ser usados para quebrar a defesa congestionada. Um exemplo é o tradicional falso 9, que substitui o jogador grandão que briga nas bolas aéreas por outro com maior movimentação, saindo constantemente da área, deixando o time sem uma referência propriamente dita (como o Barcelona de Guardiola). Outra mudança que ocorreu foi na função dos pontas, que agora não se restringem a apenas cruzar, mas também exercem a função de finalizadores (como CR7 e Bale no Real Madrid).


Condições de jogo

Dos equipamentos rudimentares aos equipamentos recheados de tecnologia de ponta, assim se modificaram os instrumentos de trabalho no futebol. Vamos usar como exemplo a Brazuca, bola utilizada na última Copa do Mundo. Diferente das anteriores, seus gomos foram ligados por um processo que envolve calor, dispensando assim o uso de linhas e costuras, além de ter o grau de rugosidade alto, impedindo que a bola desvie da trajetória inicial devido a resistência do vento (o oposto ocorria com a Jabulani que sofria este efeito, chamado de knuckling effect). A Brazuca é revestida com poliuretano, material artificial que torna a bola impermeável, com isso a bola é a mesma em casos de chuva ou em dias quentes e secos.

E as chuteiras não ficam atrás nesta corrida. Os detalhes estão presentes desde às solas e amortecedores até o acabamento e o peso do produto. Há chuteiras feitas de material sintético ou mesmo de couro. Assim, além de ficar mais confortável, o calçado impede a queda no desempenho por fatores externos, como o peso já citado anteriormente, o desconforto que pode gerar lesões, a aderência com o gramado dentre outros. Assim, o futebol fica cada vez mais decidido pelo próprio jogo.


Apesar da grande evolução nos materiais esportivos, incluindo camisas, é possível ver a tecnologia empregada em outras ferramentas, desde a recuperação mais rápida até análise de desempenho dos jogadores. Contudo, há ainda espaços não preenchidos pelos aparelho tecnológicos, algo que parece estar mudando a partir da implantação do chip da bola indicado se foi gol ou não. A ajuda dos árbitros por meio de replays, alerta como este do gol, seriam infinitamente úteis em lances polêmicos diminuindo assim os casos de "roubo" e fazendo com que o jogo fosse justo.


Financeiro


Este talvez seja o grande ponto negativo do futebol atual. Se na década passada, a Europa era a única responsável por tirar nossos jovens talentos por meio do dinheiro, hoje o Oriente Médio e a China se tornaram as grandes protagonistas dessas compras. Assim, percebe-se que houve a perda do amor pela camisa do clube em troca do dinheiro, fazendo com que muitos torcedores perdessem a paixão pelo futebol. Fora o fato dos conhecidos como "mercenários", como Ronaldinho em seu retorno ao Brasil, tendo abandonado o Grêmio, Robinho que foi para o Atlético-MG, Guerrero tendo saído do Corinthians após se tornado um ídolo do time, Diego Tardelli tendo ido para o Shandong Luneng após uma temporada espetacular pelo Galo, fora os casos dos atletas internacionais. Tal realidade acaba atrapalhando o brilho do futebol.


Arquibancada

Com o aumento das medidas de segurança, muitos ingredientes rotineiros no passado foram deixados de lado, como os sinalizadores (que podem ser muito perigosos como no caso do menino, envolvendo o Corinthians) e a famosa geral, que é proibida em jogos de Copa do Mundo por exemplo. De tal forma, para muitos apaixonados por futebol, a linda festa que tinha antigamente está desaparecendo aliada à uma elitização do futebol, pois com os aperfeiçoamentos o ingresso se torna cada vez mais caro, o que impossibilita o acesso pelas massas. Estes motivos talvez sejam os principais pela campanha "contra o futebol moderno".

Terminamos aqui o segundo post desta trilogia falando sobre o futebol moderno com o qual convivemos. No último artigo da trilogia traremos qual é o vencedor e quais pontos podem ser conciliados para o bem do esporte mais amado do planeta!