Até onde chegarão os islandeses?



A EURO de 2016 contou com o recorde países estreantes na competição, no total cinco, muito pelo fato da quantidade de equipes que disputaram a competição ser maior do que as edições anteriores (24x16). E dentre estes estreantes, estava a Seleção da Islândia que nunca participara de uma competição oficial antes. O país com um dos melhores IDHs do mundo conta com uma população de 330 mil pessoas (pouco mais de quatro Maracanãs) e jogadores que dividem o tempo entre a bola e atividades fora das quatro linhas. Apesar disso, os "vikings" continuam fazendo história e após uma EURO belíssima conseguiram nesta última semana a vaga direta para a Copa do Mundo.

Apesar de cair num grupo sem uma seleção de primeiro escalão, a Islândia enfrentou equipes complicadas tais como a Croácia, Turquia e Ucrânia. Apesar dessas adversidades, a seleção islandesa conseguiu fazer uma bela campanha, inclusive com o melhor ataque do grupo, algo destoante para o time que na EURO se baseava nas bolas longas e nos contra-ataques. Na última rodada, vitória sobre o modesto Kosovo por 2x0 carimbando o passaporte para o primeiro Mundial. Já a Croácia terminou em segundo e irá para a repescagem conhecendo seu adversário após o sorteio.


Tal feito é mais extraordinário ainda se formos analisar jogador por jogador. A maioria dos integrantes da seleção atuam fora do país, distribuindo-se por países como Noruega, Dinamarca, Suécia e Inglaterra. Apesar de alguns destaques individuais como Sigurðsson há algumas peculiaridades na equipe islandesa. O treinador atual também é dentista e divide o tempo entre a bola e o consultório. Já o goleiro Halldórsson, antes do sucesso, era cineasta e vivia disso, pretendo voltar após pendurar as luvas. Outro que poderia figurar nessa seleção seria Aron Johannsson, entretanto o atleta que possui dupla nacionalidade trocou a Islândia pelos Estado Unidos acreditando que na América teria maiores chances de ir para a Copa; ledo engano. Após sucessivas classificações, os estadunidenses ficam de fora da competição pela primeira vez desde 1986.


Mesmo com a aparição repentina, o time do Norte Europeu vem fazendo um trabalho a longo prazo muito bom. Com a construção de centros de treinamento com grama sintética (o clima não contribui muito para a natural) e o envio de diversos profissionais para fazerem os cursos da UEFA, o país incentivou bem a prática do esporte. A federação do país contratou o experiente sueco Lars Largeback que teve papel fundamental no período em que esteve na direção do trabalho, deixando Heimir Hallgrímsson em seu lugar que conseguiu manter o mesmo padrão. Os primeiro frutos vieram em 2011 quando a seleção sub-21 conseguiu pela primeira vez a classificação para a EURO da categoria. Em 2016 ocorreu a estreia na EURO para os profissionais, numa campanha derrubando gigantes como Inglaterra, os islandeses pararam nos donos da casa. E agora, talvez o ápice do esporte no país, a vaga para a Copa do Mundo.

Tal evolução nos gera uma dúvida: Até onde chegarão os islandeses? Um time sem grife, mas com muita organização tática tem a vaga na Copa como uma excepcional conquista;, o que vier agora é lucro. Será que este é o capítulo final dessa história ou poderemos assistir a uma Islândia similar a de 2016 ou até mesmo a incorporação de uma "Costa Rica" de 2014? Qual será o limite para os "vikings"?

Curiosidade: Na Islândia não existe sobrenome em si, na verdade o filho tem como "sobrenome" o nome do pai (ou em alguns casos da mãe) acrescido son para filho e dóttir para filha.

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Ceyron Louis

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1 comentários:

  1. Antes de mais nada bem vindo de novo. Só pelo fato de chegar á copa do Mundo já é uma vitória pros islandeses, pois o que vier é lucro daqui pra frente. O que fizeram na Euro do ano passado foi histórico, mas agora que chegou à uma Copa o nível é outro.

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